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Novo desembargador relembra história da Cidadela Antarctica de Joinville em sentença

Promovido para o 92º cargo de desembargador do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) há uma semana, o magistrado Roberto Lepper publicou uma de suas últimas decisões como juiz na segunda-feira, 26.

Em sentença prolatada na 2ª Vara da Fazenda Pública da comarca de Joinville, o mais novo integrante da Corte catarinense acatou os pedidos formulados em Ação Civil Pública pelo Ministério Público e determinou ao município uma série de providências no sentido de reparar e preservar as características originais da chamada Cidadela Cultural Antarctica, local que abrigou antigas cervejarias da cidade.

Trata-se de uma edificação erguida em 1889, comprada pelo município em 2001 e tombada pelo patrimônio histórico uma década depois, o espaço foi atingido por um incêndio em março do ano passado.

Mais do que determinar obras de reparo emergencial, limpeza, plano de restauro e demais providências voltadas à proteção do imóvel, a sentença chama atenção pelo resgate histórico e cultural promovido pelo magistrado.

“Ao proferir esta sentença, e o fiz num espectro técnico a que sempre me propus desde que tomei posse no cargo de Juiz Substituto, em 20 de julho de 1993, encerro minha jornada em primeiro grau de jurisdição, pois, no último dia 21, fui promovido para, doravante, exercer o cargo de Desembargador no Tribunal de Justiça do Estado, e, admito, não escolhi esse processo ao acaso. Quis que fosse esse para fechar um ciclo de vida no qual aprendi muito e que se cola às minhas reminiscências”, escreveu Lepper.

Ao julgar a ação, o magistrado contextualiza em detalhes as atividades desenvolvidas na edificação ao longo das décadas, desde a instalação da primeira cervejaria até a aquisição do imóvel pelo município de Joinville. A sentença apresenta, por exemplo, rótulos históricos de cervejas produzidas no local. Também recorda da fama alcançada pela fábrica devido à notável qualidade das fontes da água utilizada na produção.

Lepper descreve, ainda, sua próprias memórias de menino e de cidadão joinvilense relacionadas à fábrica da Antarctica. “O tempo passou e a Antarctica ‘de Joinville’, lá pelo final da década de mil novecentos e oitenta e início da de noventa, era a mais desejada […] A desculpa para a escolha era a boa água que abastecia a fábrica e que ainda hoje pode sair das torneiras que, enferrujadas, deverão ser consertadas inclusive por força do comando emanado desta sentença. Naqueles tempos em que não se falava em puro malte, não havia pra ninguém. Ao garçom era só gesticular simulando uma faixa no peito […]”.

Ao fim da sentença, Lepper também manifesta seu desejo de que a vida na Cidadela Cultural Antarctica possa ser brindada novamente. “São muitas lembranças e emoções vividas, diria Roberto – o Carlos”, finalizou.

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A diferença entre a literatura e o jornalismo é que o jornalismo é ilegível e a literatura não é lida… Oscar Wilde

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