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Marcelo Rizzatti flagra tempos incertos no disco “A Impermanência das Coisas”

Guitarrista e cofundador d’Os Depira – talvez a mais popular banda de rock autoral de Joinville -, Marcelo Rizzatti já vinha se mostrando mais “soltinho” em 2019, quando lançou o EP “Recomeço”. O título apontava para uma nova fase, e no final daquele ano ele seguiu trabalhando longe do grupo, que vinha em marcha lenta. Pois veio a pandemia, e com ela o isolamento e o foco total num novo disco solo, lançado agora na internet sob o nome “A Impermanência das Coisas”, altamente simbólico para os tempos recém-vividos.
O estranhamento com estes tempos pandêmicos é uma constante nas letras das nove faixas do disco, produzido no Estúdio ER Produções pelo também músico Eddy Rossi. Nada é para sempre, tudo muda num piscar de olhos e a incerteza é uma garantia, Rizzatti quer expressar. Mas há também um senso de continuidade aqui. “Talvez este seja meu momento mais criativo, em que as músicas me vêm com facilidade, até na questão das letras, que nunca foram o meu forte”, explica.
Apesar do necessário isolamento, “A Impermanência das Coisas” é um álbum feito a várias mãos, a começar pela capa, assinada pelo artista plástico Anderson Alberton. Além do já citado Eddy Rossi, tocaram no disco dois colegas de Os Depira – o vocalista Nuno e o baixista Parffit Jim Balsanelli -, Fábio Rivero (voz), Jussara Gossen (voz), André Steuernagel (bateria), Emerson Mainhardt (baixo e bateria), Willian Moura (harmônica), Tadeu Santos (saxofone), Jacson Araújo (teclados) e Eliezer Fagundes (teclados). Nas composições, aparecem os nomes de Rivero, Parffit, Xikoneto e Katherine Funke. Para completar, uma participação muito especial: Pedro Rizzatti, filho de Marcelo, tocando bateria em sua primeira gravação oficial.


Tudo isso levou a um álbum musicalmente diverso, mesmo se guiando pelo vibe setentista percebida também n’Os Depira. Tem o blues rock “Cidade Fantasma” – cuja letra espelha a solidão imposta pela Covid -, o funk soul “A Toast Together”, a climática “O Vento e o Albatroz” e a pesada “The Prophet”. “Como se trata de um disco solo, me senti com liberdade para explorar outros territórios sonoros”, crava Rizzatti.
E agora que os dias já mudaram de novo e permitem que se sonhe até com shows ao vivo? É justamente o que Marcelo quer, botar o pé nos palcos e mostrar os “frutos da pandemia”, em princípio, em forma de trio. É possível que essa estreia esteja perto. Até lá, temos “A Impermanência das Coisas” para degustar online. Pois o que não muda de jeito nenhum é música boa.

Folha

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