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Crônica : Eu não quero ir pro BBB

Há alguns anos eu tinha como sonho dourado entrar pro BBB! Fiz minha
inscrição por três vezes e aleguei motivos vários para ser escolhida para participar do
programa.
Não deve ser surpresa pra muitos que assisto a todas as edições e que não me
considero mais ou menos inteligente por isso. Creio que já estou em uma idade que
nada pode mudar minha personalidade, minha postura diante da vida, dos fatos. Não é
porque assisto a uma emissora execrada por tantos que sou mais ou menos por isso.
Idolatro novelas e tenho uma memória impressionante em se tratando das
histórias que já se passaram. Assisto ao Canal Viva e percebo como minha memória é
seletiva: sempre me dei mal em concursos públicos, porém, se a temática fosse
novela… estaria ocupando um cargo público de renome.
Porém, este ano não anseio nem me inscrever para participar do BBB. Muitos
dirão: claro, nem seria chamada. Contudo, e se fosse????? Seria o caos. Numa casa em
que são monitorados 24 horas, eu teria de cuidar muito bem de minha língua, porque
creio que o chamado freio inibitório se aniquila com o passar do tempo. Como não se
veem as câmeras, a ilusão de se estar numa casa com 'colegas de ocasião' persiste e
acaba-se falando mais que a boca.
Talvez eu saísse de lá com mais alguns processos nas costas e tendo de mudar
de cidade. Empregos sérios quiçá nem conseguiria mais, todavia, minha essência
estaria exposta e seria aquilo: ou me amariam absurdamente ou sairia na primeira
semana.
Detesto dividir banheiro e sou abominável com fome ou sono. Não gosto de ver
a pia com louça acumulando e não posso passar um dia sem usar o aspirador na casa e
um belo pano com desinfetante. Banho? Tomo uns 4 por dia, mesmo sem sair de casa.
Entretanto, levaria uma coleção de pijamas. AMO usar pijama o dia todo e , se
possível, sair com um. E o que é mais legal: ninguém sabe que estou de pijama no
mercado, somente eu. A sensação de liberdade é algo indescritível.

Usaria pijama até nas festas e seria penalizada por não querer usar as roupas
que a produção coloca na despensa. Seria a 'mulher do pijama', ou então, a doida que
só fala em cachorro.
No entanto, o que mais me incomodaria em tudo isso é ter de ir ao banheiro
pra tirar uma 'melequinha fortuita'. Por mais classe que eu tenha, não seria agradável
verem-me limpando o salão.

Rosane  de Andrade

rosane.professora@hotmail.com

Escritora

Folha

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