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Arte para Todos beneficiou mais de 18 mil pessoas em Joinville e é referência na região Sul

O Programa de Formação Cultural Arte para Todos comemora 10 anos de existência em 2022 e se consagra como um programa em formato inédito e exclusivo no Sul do Brasil. O destaque se dá pela parceria entre a iniciativa privada e a rede pública de Saúde ao oferecer atividades para pessoas com deficiência e transtorno mental.

“Nesse período, não encontramos um projeto que alie o atendimento terapêutico e a arte da forma que promovemos. Nas aulas, o profissional de saúde está inserido e, de fato, participa das atividades e vive a experiência junto com a pessoa que recebe atendimento. Isso faz toda a diferença”, conta Iraci Seefeldt, coordenadora executiva do Programa.

Ao longo dessa década, o trabalho impactou diretamente mais de 18 mil pessoas. Foram cerca de 200 atividades, como oficinas, apresentações e produções teatrais e de dança. Nas atividades, a arte é utilizada como ferramenta de inserção para promover o desenvolvimento humano e construir autonomia aos usuários do Núcleo de Atenção Integral à Pessoa com Deficiência Intelectual e Transtorno do Espectro do Autismo (Naipe DI/TEA) e às pessoas atendidas pelo Serviços Organizados de Inclusão Social (SOIS).

Atualmente, as oficinas são focadas em duas linguagens artísticas: artes visuais e teatro. As duas oficinas de teatro, ministradas pelo professor Robson Benta, são desenvolvidas em parceria entre o Instituto de Pesquisa da Arte pelo Movimento (IMPAR) e as Secretarias de Cultura e Turismo e de Saúde da Prefeitura de Joinville. Já as oficinas de artes visuais são viabilizadas pelo projeto Pensar e Criar, do professor José Mauro Silva, contemplado no edital de Ações Culturais da Lei Aldir Blanc Joinville.

Luana Hammes é psicóloga do Naipe e explica a importância da atividade ser desenvolvida de maneira conjunta.

“A gente busca, com a equipe interdisciplinar, estimular ganhos em relação a treino de marcha, motricidade ampla e fina, na construção da identidade, na parte da psicologia, na autonomia das atividades diárias. Trabalhamos a linguagem e a comunicação funcional para que consigam mostrar com gestos ou verbalmente o que eles precisam ou desejam. No começo do projeto, eles viram que o teatro integrava todas essas áreas. Então, em vez de participarem de forma individual nos atendimentos, de psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional, existia mais ganhos, a partir de uma certa idade, os usuários participarem dessas vivências no coletivo”, relata.

Em dez anos, muitas conquistas são percebidas por quem atua diretamente no projeto. Para o professor de teatro, Robson Benta, o Naipe e o SOIS não devem ser os únicos espaços para as pessoas em tratamento terem acesso.

“A melhora terapêutica é fantástica, apesar de que a gente faz arte e não terapia, mas percebemos a evolução deles. Já nos apresentamos no Instituto Juarez Machado, na Escola Bolshoi e viajamos para Brasília para apresentar em um congresso. Eles têm acesso aos espaços de cultura da cidade. Quanto mais são vistos, menos estranhamento as pessoas têm e esse pertencimento cresce”, ensina o professor.

Um dos pontos altos do programa é a inclusão das famílias. A dona de casa Maria Izolete Miranda, viu sua vida mudar quando o filho Jean passou a apresentar mudanças aos 20 anos de idade. Foi hospitalizado, perdeu os movimentos e a fala. A mãe largou o trabalho para cuidar do filho e soube no Naipe do grupo de teatro, indicado por um médico. De lá pra cá, Jean mudou. Agora, ele consegue se movimentar e até escrever o próprio nome.

“Meu filho adora vir nas aulas. Ele não abraça ninguém, mas o professor ele abraça. Quando a gente fala daqui, abre um sorriso enorme. Tudo o que ensinado aqui vai para a casa e conseguimos melhorar o desenvolvimento”, conta a mãe.

“Socialmente existe um estigma muito grande em relação à pessoa com deficiência. Eles tendem a se isolar ou as famílias por não existir inclusão de fato. Os alunos não olhavam nos olhos quando iam se apresentar, existia um receio da participação. Hoje, sabemos que é um trabalho importante, que tem ganhos, não só para os pacientes, mas também para as famílias que são incluídas no processo, participam das aulas e se enxergam como protagonistas”, explica a psicóloga Luana.

A necessidade da presença dos pais ou dos responsáveis surgiu com o tempo, como relata o professor Robson.

“Quando os pais participam junto e os jogos são reproduzidos em casa, a família fica feliz em ver que o filho consegue. Desmistifica que a pessoa com deficiência não pode. Eles são os mais disciplinados e dedicados, se jogam de cabeça. Esse trabalho é um ganho para a cidade e para as famílias, porque a diversidade está aí, ninguém escolheu nascer com deficiência”, fala Robson.

Folha

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